O câncer de colo uterino e o câncer de mama representam, entre as neoplasias malignas, as principais causas de óbito na população feminina de 15 anos ou mais em nosso país (1, 2). O início da atividade sexual em idade precoce, o maior número de parceiros sexuais e a multiparidade são considerados fatores de risco preponderantes para o câncer do colo uterino (3, 4). Estes fatores estão presentes, de maneira geral, nos povos indígenas da América. A literatura apresenta dados preocupantes sobre a incidência do câncer do colo uterino nesses povos (5-8).
A ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis (DST), particularmente de infecções pelo papilomavírus humano (HPV), representa um importante fator de risco adicional de carcinogênese cervical. Diversos estudos epidemiológicos têm confirmado que o HPV (especificamente os subtipos 16 e 18) determina uma importante progressão das lesões pré-clínicas para as formas invasivas, admitindo-se que a neoplasia intra-epitelial cervical II ou III possa ocorrer até 2 anos após a infecção primária por esse vírus (6, 9-14).
Segundo dados oficiais, a população indígena no Brasil é de 325000 índios, sendo muito escassos os dados a respeito da ocorrência do câncer do colo uterino nessa população. Um inquérito realizado em 1989, com 89 mulheres da tribo Parakanã, encontrou uma prevalência de 3% de lesões cervicais pré-malignas (16). Assim, o presente inquérito teve como objetivo estudar a ocorrência do câncer de colo uterino em mulheres do Parque Indígena do Xingu (PIX), Estado do Mato Grosso (Brasil Central). A prevalência de DST e de alterações citológicas da cérvice uterina foram avaliadas, visando a instituir um programa de prevenção do câncer do colo do útero naquela população.
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